NESTA VIDA, DUAS COISAS PODEM ACONTECER
Jornal A TRIBUNA, 30/11/2025
Existem algumas frases curtas, tipo provérbio, sobre “o levar a vida numa boa”. São frases interessantes, não ofensivas e bastante apropriadas para aqueles momentos nos quais precisamos dizer alguma coisa e não sabemos o que fazer: tipo “embroma” para passar o tempo!
Dentre elas destacamos algumas reflexões interessantes, tais como: nessa vida duas coisas podem acontecer: você pode ser bem ou mal sucedido. Se você for bem sucedido, não tem com o que se preocupar; se for mal sucedido, duas coisas podem acontecer: ou você tem saúde, ou está doente. Se você estiver com saúde, não tem com o que se preocupar; se estiver doente, duas coisas podem acontecer: ou você se recupera ou morre. Se você se recuperar, não tem com o que se preocupar; de você morrer, duas coisas podem acontecer: você irá para o Céu ou para o Inferno. Se for para o Céu, não tem com o que se preocupar; se você for para o Inferno irá encontrar tantos amigos/amigas que não lhe darão tempo para você se preocupar.
Me parece um bom ensinamento sobre a vida e como podemos nos livrar de tantas preocupações que nos cercam quase todos os dias. Aliás, nos meus (90-1) anos de idade, procuro me libertar de ideias ruins, concentrando minhas preocupações em dois importantes membros do corpo humano: as pernas, para adiar o uso de uma bengala; o cérebro, para, no futuro, saber onde irei esquecer a minha bengala, pois ele virá. Para adiar o uso da bengala, pedalo – com triciclo, claro – três ou quatro vezes por semana, pois o portão dos fundos do prédio onde moro dá acesso direto à Ciclovia de Santos. Por outro lado, para manter a mente “funcionando” com certa regularidade, estou quase sempre diante de um microcomputador, “atualizando” um website educacional que já alcançou mais de um milhão de visitas, mundo afora, vertido automaticamente para oito idiomas. Abre-se, claro, pelo meu sobrenome e trata do lado belo da arquitetura militar colonial que ainda hoje permeia o vasto perímetro do Brasil, desafiando o longo passar do tempo (séculos XVI, XVII e XVIII), as intempéries e, por vezes, o terrível abandono.
Por outro lado, procuro repassar minha experiência de vida – 35 anos do Exército Brasileiro e 25 anos no Magistério Superior –, escrevendo sobre as fortificações coloniais indicadas para o Patrimônio Mundial pela UNESCO, pois as conheço, todas, fruto da minha vivência na fronteira oeste do Brasil, no final do terceiro quartil do Século XX, em local onde se quer existia um telefone. Esta minha paixão pelas letras, são recompensadas de diversas formas, dentre as quais destaco as publicações de pequenos artigos, como este, pelo jornal A TRIBUNA.
Elcio Rogerio Secomandi
Academia Santista de Letras
Academia de História Militar Terrestre do Brasil