PORTO DE SANTOS: Armada no mar e bandeiras na terra
Artigo publicado no jornal A TRIBUNA, 23/12/2025
PORTO DE SANTOS Armada no mar & Bandeiras na terra
Os navegantes enfrentando mares revoltos e os bandeirantes por terra nunca dantes exploradas, ousaram construir uma fantástica história de povoamento e conquistas territoriais, avançando muito além da Linha Mediática de Tordesilhas, para nos deixar um enorme País “abençoado por Deus e pela natureza”.
E tudo aconteceu no segundo quartil do Século XVI (1532), pela ocupação das terras no entorno da Baía de São Vicente, protegida por acidentes naturais submersos existentes na chamada “Garganta do Diabo”, entre a Ilha Porchat e a área continental que se estende terra adentro. Proteção natural e água doce na “biquinha” do Morro dos Barbosas, foram fundamentais para a escolha da região para dar início à colonização oficial do Brasil, após dois anos de reconhecimento da costa brasileira, desde a Foz do Rio Amazonas até à Foz do Rio da Prata, realizado pela esquadra de Martim Afonso de Souza.
A proteção contra piratas, corsários e aventureiros que chegavam por mar, obrigou nossos antepassados a construírem um fantástico sistema defensivo colonial, composto por diversas obras de engenharia militar, as quais hoje, nos permitem admirá-las por meio de diversas leituras: a partir da organização política representada pelas capitanias hereditárias; pelo domínio espanhol; pelo iluminismo pombalino; pela vertente dos ciclos econômicos que se iniciam com o bandeirismo; pela visão religiosa, e, por fim, pelo viés da evolução da história deste nosso país continental, segundo nos indica o arquiteto do IPHAN, Victor Hugo Mori, amigo de longa data.
Esta breve revisão histórica nos permite destacar a existência de duas fortificações coloniais que faziam parte do sistema defensivo do Porto de Santos e que hoje encontram-se indicadas para o Patrimônio Mundial pela UNESCO: Forte de São João, 1551, Bertioga, e Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande, 1584, Guarujá, SP.
No período colonial do Brasil, a defesa de inúmeros pontos sensíveis no litoral e na fronteira terrestre gerou a necessidade da construção de expressivos conjuntos de fortificações, os quais, de forma inegável, nos garantiram a posse do território e nos legaram um imenso patrimônio fortificado e de grande valor histórico e cultural e hoje, na linha de “conjunto seriado de bens culturais”, encontra-se indicado para concorrer ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO.
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