Este é o meu nome – DUQUE DE CAXIAS – Eu sou um Forte e fui construído entre 1776 e 1799. Inicialmente, eu era conhecido como Forte da Vigia ou Forte do Leme. O nome “Forte Duque de Caxias” me foi dado em 1935, em homenagem ao atual Patrono do Exército, por meio do Decreto n° 305, do Presidente Getúlio Vargas.
Eu ocupo a crista militar do Morro do Leme, na sua parte mais avançada para o mar aberto no extremo norte da Praia de Copacabana, tendo como vizinha Praia Vermelha, ambas, “cartões postais” do Rio de Janeiro, RJ. Meu irmão mais jovem – Forte de Copacabana – moldura o outro extremo (sul) da mais famosa praia do Brasil, quiçá, do mundo pela sua inegável beleza natural.
Eu e meu irmão somos os herdeiros – colonial e republicano – de um complexo sistema de defesa em posições fixas, que ainda hoje permeiam o vasto perímetro do Brasil, desafiando o longo passar dos séculos, às intempéries e, por vezes, o terrível abandono.
Hoje, eu e todas as demais fortificações somos obsoletas para o combate moderno, pois os fogos de artilharia passaram a ser realizados em posições fugazes. Mas, não somos obsoletas para hospedar outras unidades não operacionais, destacando-se o Museu Militar do Exército, no Forte de Copacabana e, se me permitam, com muito orgulho, ocupo posição de destaque na vertente do ensino militar e recebo, anualmente, militares (oficiais e graduados) do Brasil e de países amigos que aqui vêm dividir conosco os ensinamentos sobre a arte da guerra, em especial sobre a doutrina militar brasileira eminentemente defensiva.
Orgulho-me de possuir um enorme Valor Universal de Excepcionalidade (VUE), pois represento um sistema de defesa moldado, ao longo de muitos séculos, por diferentes tipos de arquitetura militar autóctone que, inegavelmente, muito contribuiu para firmar a ocupação (uti possidetis) do amplo espaço geográfico do Brasil, abrigando três dos maiores ecossistemas do mundo: a Amazônia, o Pantanal e o Cerrado.
Orgulho-me de estar atualmente prestando serviços na área educacional, sem qualquer preocupação com o “troar dos canhões” e sim, com o aperfeiçoamento de inúmeras gerações de militares e civis, brasileiros e de nações amigas, que, aqui frequentaram e ainda hoje frequentam diversos cursos de extensão e pós-graduação na área militar no CEP (Centro de Estudos de Pessoal).
Parafraseando o historiador Adler Homero Fonseca de Castro, todos que por aqui passam frequentando meus diversos cursos de aperfeiçoamento respeitam e admiram as minhas centenárias muralhas de pedras, outrora ocupadas por homens construtores da nossa História. Portanto, ainda guardo lembranças dos meus “soldados” que por aqui assaram, revezando-se a cada ano, alguns dos quais hoje me visitam para comemorar os 60 anos de “vida” do Centro de Estudos de Pessoal.
Elcio Rogerio Secomandi
Cel Art Vtno, ex-coordenador do Curso de Administração do CEP – Centro de Estudos de Pessoal. Professor Emérito da Universidade Católica de Santos: www.secomandi.com.br. Membro BRA 36714 do ICOMOS – Conselho Internacional de Museus e Sítios Históricos /UNESCO