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TABATINGA

Uma cidade antiga na entrada do Rio Solimões no Brasil.

            TABATINGA

 

 JORNAL A TRIBUNA,

  04/02/2026

 

         

       Tabatinga é uma cidade antiga situada na fronteira oeste no Estado do Amazonas, junto ao Rio Solimões, tendo a vizinhança de Letícia na Colômbia e Santa Rosa no Peru. Na linguagem tupi, tabatinga significa barro branco de muita viscosidade.

            No início da década de 1980 lá estivemos com alunos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército para estudos estratégicos de defesa daquela enorme região fronteiriça. Para chegar lá, havia apenas o transporte aéreo realizado pela Força Aérea Brasileira (FAB) por meio de um hidroavião “catalina”, que aproveitava o leito do caudaloso Rio Solimões para pousar, após realizar um voo “rasante” de reconhecimento para ter certeza de que não havia obstáculos, tais como arvores ou barrancos flutuando na superfície do maior rio formador do Amazonas. A visita de estudos estratégicos começava de forma emocionante desde o pouso na água até à recepção calorosa de um pequeno grupamento militar de defesa composto, na sua quase totalidade, por índios ou descendentes, oriundos de tribos próximas.

            Naquela região havia muitos seringueiros independentes e, curiosamente eles amarravam suas canoas nas embarcações maiores e desciam na floresta alagada, munidos com instrumentos de coleta do látex e três pequenos radio de pilhas. Os rádios eram fixados em arvores parcialmente submersas pelas águas do caudaloso rio, formando um triângulo acústico, que lhe permitia retornar ao ponto de embarque para Tabatinga, antes da existência do GPS. O percurso entre Manaus e Tabatinga durava duas horas de avião ou seis dias de barco, navegando apenas durante o dia. Lá, na imensidão do verde da floresta e do movimento exuberante da água do caudaloso rio, tudo se conta em dias, pois os pelotões de fronteira são alcançados por rios menores, afluentes do Solimões, formado uma espécie de mão na qual as pontas dos dedos dão acesso aos diversos destacamentos militares independentes e vigilantes dos acessos à maior floresta tropical do mundo.

            Tive a sorte de viver, por dois anos uma experiência semelhante na maior planície alagada do mundo, o Pantanal, que se contrapõe à floresta tropical acompanhando a calha do Rio Paraguai, outro “gigante” da natureza esplêndida do nosso Brasil. Fui, com muita honra, comandante o único grupo de artilharia de campanha articulado em uma brigada de cavalaria vigilante da fronteira oeste do Brasil. Hoje, aos 90 anos de idade, vivo de saudades, propondo artigos como este, inspirado em pequenos vídeos que podem ser acessados pela Internet, digitando: vídeos sobre pelotão especial de fronteira.

Elcio Rogerio Secomandi

Academia de História Militar Terreste do Brasil / Academia Santista de Letras.

Foto: Elcio Franco



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