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O MAIOR ASSOMBRO DA NOSSA HISTÓRIA

A unidade nacional....

O MAIOR ASSOMBRO DA NOSSA HISTÓRIA

                Segundo Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Ataíde), o maior assombro da nossa História é a “unidade nacional”, construída a partir de atos heroicos realizados por navegantes singrando mares nunca dantes navegados e bandeirantes avançando por terras nunca dantes exploradas. Eles, navegantes e bandeirantes, ousaram construir uma fantástica história de povoamento e conquistas territoriais que se entrelaçam.  

            Para entender as colocações acima, é preciso destacar quais foram os atributos definidores da unidade nacional, iniciando-se pelo “faseamento” das operações de conquistas territoriais, projetando o poder colonial português pelo mar, prosseguindo com o estabelecimento de “cabeças de praia” e, por fim, avançando por terra para o Oeste bravio, dizem alguns, em busca de um “Eldorado” motivador de muitas entradas e bandeiras.

            Para dar sustentabilidade às conquistas territoriais Portugal empenhou-se na projeção de três componentes do DNA de uma nova Nação:  Fortificações, Casa de Câmara e Cadeia, para marcar a presença de uma poderosa força exploradora; Fé Cristã, para semear propósitos e pensamentos; e, idioma comum para unir povos aborígenes sobre uma mesma linguagem. O resultado, como sabemos, foi o surgimento de um “gigante pela própria natureza”.

            E tudo começou na parte central de uma estreita e alongada planície costeira outrora coberta pela Mata Atlântica, onde existem dois estreitos canais de navegação que contornam a Ilha de São Vicente e se aproximam das “muralhas de pedras” da Serra do Mar. Foi nesta região, entre as ilhas de São Vicente e de Santo Amaro que, em 1532, o capitão-mor do Brasil-Colônia, Martim Afonso de Souza, aportou com sua esquadra, após reconhecer o litoral pouco recortado da América do Sul, desde a foz do Amazonas até a embocadura do Rio da Prata. E foi assim, ou quase assim, que as vilas de São Vicente e Santos surgiram em áreas protegidas pela natureza e longe das “vistas” do mar aberto e dos “fogos” dos canhões dos piratas e dos corsários.

            A esquadra de Martin Afonso de Souza, com cinco navios, era composta por “fidalgos, militares de estirpe, soldados portugueses, mercenários italianos e franceses, bombardeiros, besteiros e espingardeiros”. Dentre os tripulantes estava o jovem Brás Cubas, então com 24 anos, que viria a fundar a Nova Povoação por volta de 1540 e transferir o porto, que ficava na embocadura do Estuário de Santos, para o “Lagamar de Enguaguaçu”, próximo ao Outeiro de Santa Catarina e da foz do Rio Itororó,

            Vencidos os mares bravios e a “muralha de pedras” da Serra do Mar para alcançar o Planalto Brasileiro, os bandeirantes partiram de São Paulo para conquistar e povoar as planícies centrais do Brasil continental, hoje com os seus nomes indicando as estradas modernas que rumam para o Oeste, outrora tão bravio: Anhanguera, Bandeirantes, Fernão Dias e Raposo Tavares.

            Ao longo dos séculos XVI ao XVIII, outras “muralhas de pedras” _ fortins, fortes, fortalezas_ foram erguidas pelos colonizadores no entorno da Baía de Santos, para proteger a primeira “cabeça de praia” (base militar onde se realiza a transposição das operações marítimas para as operações terrestres) indispensável à passagem das operações navais em “mares revoltos”, para o aprofundamento das conquistas de novas terras “nunca dantes” exploradas.

Elcio Rogerio Secomandi

Academia Santista de Letras / Academia de História Militar Terrestre do Brasil / Instituto de Geografia e História Militar do Brasil



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