Foi assim, ao quase assim, que os navegantes singrando mares revoltos e os bandeirantes rumando para o oeste bravio, ousaram construir uma fantástica história de povoamento e conquistas territoriais que se entrelaçam.
Foi assim também, ou quase assim, com enorme espírito empreendedor que eles, os navegantes e os bandeirantes, ousaram realizar uma fantástica ocupação de novas terras a séculos habitadas por aborígenes e para eles trouxeram novos conhecimentos, novos costumes, novas crenças religiosas e novas línguas - português, espanhol, inglês, francês e holandês -, tudo em troca de uma exploração comercial, catequizadora e, muitas vezes, exercidas de forma violenta. Certa vez alguém nos disse, de forma espirituosa, mas com algumas verdades, que o longo período colonial do Brasil os portugueses nos deixaram buracos em Minas Gerais, igrejas em Portugal e canhões vindo da Inglaterra, estes servindo como lastros para estabilizar os navios que chegavam vazios em busca de novas riquezas. E foi assim também, que fantásticos exemplares de fortificações coloniais foram erguidas e sobrevivem até hoje ao longo do vasto perímetro do Brasil, materializando a nossa história. Elas, as fortificações coloniais, desde 1964 são consideradas patrimônio histórico nacional, e agora estão sendo indicadas para ascenderem à patrimônio mundial, por proposta para reconhecimento pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
Com um “espírito acadêmico” de professor aposentado, em linguagem simples e coloquial, esperamos, com este breve relato histórico, alavancar o interesse dos mais jovens pelos estudos sobre a arquitetura militar edificada durante o longo período colonial do Brasil. Procuramos assim, alcançar “pessoas que se reúnem para construir e dividir novos conhecimentos, investigar para conhecer melhor, entender e transformar a realidade que nos cerca” (IPHAN). Para tanto, há muitos anos, estamos desenvolvendo um projeto educacional de domínio púbico – www.secomandi.com.br – destinado exclusivamente ao lado belo da arquitetura militar colonial. O interesse pelo assunto nos surpreende, pois, as consultas ao website educacional no mês de julho de 2026 alcançaram 2430 visitas mundo afora, vertidas automaticamente para oito idiomas.
Esperamos que vocês (leitoras, leitores) que nos honram com a leitura deste texto acadêmico nos ajudem a divulgar esta abordagem histórica pouco conhecida, mas que jugamos relevante para a compreensão da unidade nacional do Brasil, descrita por Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde) como sendo “o maior assombro da nossa história”.
Elcio Rogerio Secomandi
Membro BRA 36714, do ICOMOS (Conselho Internacional, de Museus e Sítios Históricos), da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e da Academia Santista de Letras.