Dois postos de observação militar (POs) construídos no Século XVIII, se escondem sob a mata ciliar da encosta marítima do Morro dos Limões, Guarujá, SP, na margem esquerda da embocadura do estuário que abriga o Porto de Santos. Foram construídos com pedras talhadas sobre bases quadrangulares e medem cerca de 25m2 cada um deles. Estão totalmente preservados e são “invisíveis” (pela camuflagem natural) para quem olha para eles a partir de qualquer das praias da Baía de Santos. Porém, deles é possível observar: o mar e a orla marítima; o acesso ao porto, os edifícios e os morros próximos; as escarpas da Serra do Mar e o infinito céu azul em dias ensolarados. Eles eram utilizados para vigiar e expedir ordens de alertas sobre a aproximação de naus suspeitas de piratas ou de corsários, além de outras funções militares, dentre elas a de servirem como bases de retraimento (segunda linha de defesa), caso a Fortaleza de Santo Amaro da Barra Grande e/ou o Fortim do Góes fossem tomados de assalto, pelo mar.
Os dois POs merecem ser analisados a partir de uma visão estratégica ampla dos portugueses – admirável e impressionante – sobre a ocupação das áreas geográficas escolhidas para as primeiras etapas da colonização do Brasil. Naquela época era preciso, dentre outros fatores relevantes, ter água doce nas proximidades e proteção militar edificada ou natural contra o troar dos canhões dos piratas e dos corsários. A vila de São Vicente, tinha estes dois fatores significativos, mantendo a ancoragem dos navios na embocadura do estuário de Santos, diante do Morro dos Limões, aproveitando a sua proteção natural do costão da Ilha de Santo Amaro (Guarujá), além da existência de uma fonte de água doce e de uma plantação de limões, importante para o combate ao escorbuto. As pessoas seguiam a pé para a vila de São Vicente e a mercadorias eram transportadas por escaleres ou por tropas de burros. O local de ancoragem das naus está assinalado com uma réplica do “padrão português de posse da terra”, semelhante ao que existe em Sagres, Portugal. Não possuía trapiche e ficava na região hoje conhecida como Ponta da Praia, Santos, longe do Povoado de São Vicente (1532), que se expandiu a partir de 1546 para a parte interna do Estuário de Santos, dando início a atual cidade de Santos.
Você, caro leitor, pode realizar um passeio emocionante visitando a Fortaleza de Santo Amaro, sem ônus e nem agendamento, pois é administrada pela Prefeitura de Guarujá e está aberta ao público no horário normal (09 às 17h), exceto às segundas-feiras. É muito simples: basta tomar a barca que faz o trajeto marítimo para a Praia do Góes, saindo do atracadouro Edgard Perdigão, na Ponta da Praia, Santos, dez minutos antes das horas cheias. Você pode descer da embarcação no atracadouro da Fortaleza e também pode percorrer um caminho sinuoso até alcançar a Praia do Góes, acompanhando a linha d’água, o que lhe propiciará uma visão maravilhosa do Estuário de Santos, além de poder realizar um bom exercício curtindo a beleza e a natureza exuberante que moldura a Baía de Santos.
Para saber um pouco mais, acesse o website educacional destinado exclusivamente ao lado belo da arquitetura militar colonial: